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Durante décadas, o percussionista e pesquisador Djalma Corrêa documentou as mais diversas tradições culturais espalhadas pelo território brasileiro. O objetivo do percussionista era o de compreender a percussão brasileira, mas esse trabalho contínuo e cuidadoso resultou também na constituição de um acervo extraordinário de documentos, entre fotos, filmes, fitas de áudio e outros materiais.

"Venho, desde 1960, registrando as mais diversas manifestações da cultura popular brasileira do Oiapoque ao Chuí (...) tambores, vozes, timbres e cores que mesclam-se nesta panela percussiva revelando os temperos de uma cozinha tipicamente brasileira (...) Fiz registros também em países da África, Europa, Ásia, América Latina e Caribe, em fotos, filmes e fitas magnéticas (...) Procurava fazer releituras contemporâneas deste tão diversificado acervo, partindo do som original que registrei quer seja num terreiro da Bahia ou num templo budista japonês, do toque e canto indígena ao polirrítmico tambor africano, dos múltiplos sotaques do samba brasileiro às formas primeiras do Zé Pereira português, das células rítmicas do agogô ao repique dos sinos nas torres das igrejas (...)" (Depoimento de Djalma Corrêa à Balafon, em 23 de julho de 2008).

Do interesse pelas tradições da cultura brasileira, e da curiosidade pela forma de documentar do percussionista pesquisador, assim como do desejo de refletir sobre as diversas maneiras de utilizar tal documentação, seja no campo de pesquisas acadêmicas ou no campo da criação artística, nasceu a associação Balafon, em dezembro de 2003. Interessados na transversalidade, reunimos um grupo de associados de diversas áreas, da história à música, passando pelo cinema, artes plásticas, antropologia, literatura, entre outras.

Ao longo de mais de duas décadas, a Balafon pesquisou e documentou o Congado e os toques de sinos em Minas Gerais; dedicou-se a pesquisa, difusão e debate da obra do antropólogo cineasta francês Jean Rouch, referência fundamental para a história do cinema etnográfico; dedicou-se a pesquisa, difusão e debate da importantíssima obra cinematográfica do canadense Pierre Perrault, pioneiro do cinema direto, com seus documentários sobre tradições culturais do Quebec; dedicou-se a pesquisa, difusão e debate das atividades e conjuntos de filmes dos Ateliers Varan; além de organizar, inventariar e digitalizar grande parte do acervo de Djalma Corrêa, particularmente as coleções afrobrasileiras. Nos últimos anos, a Balafon colabora com o projeto Brésil de la Musique, da associação francesa Balafonjá, na Borgonha, França. Em seus mais de 20 anos d